E-mail:
genesiseletricca@gmail.com
Entender as grandezas elétricas é essencial para qualquer pessoa que queira compreender como funciona a eletricidade, seja em uma instalação residencial, em um circuito eletrônico ou em um equipamento industrial.
Essas grandezas são a base de toda medição e cálculo em engenharia elétrica e permitem avaliar o comportamento da corrente, da tensão, da resistência e da potência em um sistema.
Segundo o INMETRO e a Eletrobras/Procel, dominar esses conceitos é o primeiro passo para dimensionar corretamente cabos, disjuntores e equipamentos, evitando sobrecargas e desperdícios de energia.
O que são grandezas elétricas
As grandezas elétricas são propriedades mensuráveis que descrevem o comportamento da energia elétrica em um circuito.
As principais são tensão elétrica, corrente elétrica, resistência elétrica e potência elétrica.
Elas estão interligadas e obedecem a leis físicas universais, como a Lei de Ohm e as fórmulas de potência.
Essas grandezas são medidas em unidades específicas do Sistema Internacional (SI):
- Tensão: volt (V)
- Corrente: ampere (A)
- Resistência: ohm (Ω)
- Potência: watt (W)
Compreender a relação entre essas unidades é o que permite, por exemplo, calcular o consumo de energia de um chuveiro, o dimensionamento de cabos para um circuito de iluminação ou a potência necessária para um motor elétrico.
Leia também:
A tensão elétrica, comumente intitulada de voltagem, mas tecnicamente também chamada de diferença de potencial, é a força responsável por movimentar os elétrons dentro de um condutor.
Ela representa a quantidade de energia necessária para deslocar uma carga elétrica entre dois pontos de um circuito.
De forma simples, é a tensão que “empurra” os elétrons, gerando corrente elétrica.
No Brasil, as tensões mais comuns em redes residenciais são 127V e 220V, conforme as normas da NBR 5410 (ABNT).
Tipos de tensão
- Tensão contínua (CC ou DC): mantém a mesma polaridade ao longo do tempo, como nas pilhas e baterias.
- Tensão alternada (CA ou AC): muda de polaridade periodicamente, como na energia fornecida pelas concessionárias, que oscila 60 vezes por segundo (60 Hz).
Corrente elétrica: O fluxo de cargas em movimento
A corrente elétrica é o fluxo ordenado de cargas (elétrons) que percorre um condutor.
Sua intensidade depende diretamente da tensão aplicada e da resistência do material, conforme a Lei de Ohm (I = V / R).
Em termos práticos, quanto maior a corrente, mais elétrons passam por segundo em um determinado ponto do circuito.
Ela é medida em amperes (A) e pode ser classificada em:
- Corrente contínua (CC): os elétrons fluem sempre na mesma direção; comum em sistemas eletrônicos e baterias.
- Corrente alternada (CA): o sentido da corrente se inverte ciclicamente; é a forma usada na rede elétrica pública.
O valor da corrente deve ser cuidadosamente controlado, pois um fluxo excessivo pode causar aquecimento, perdas de energia e até curtos-circuitos.

Resistência elétrica: A oposição à passagem da corrente
A resistência elétrica é a propriedade que determina o quanto um material se opõe à passagem da corrente.
Ela depende de fatores como comprimento, diâmetro e tipo de material do condutor, além da temperatura ambiente.
Metais como cobre e alumínio têm baixa resistência — por isso são usados em fios e cabos elétricos —, enquanto materiais como borracha e vidro possuem alta resistência, atuando como isolantes.
O físico Georg Simon Ohm, que dá nome à unidade de medida (ohm – Ω), demonstrou que a resistência segue a relação R = V / I.
Isso significa que, para uma tensão fixa, quanto maior a resistência, menor será a corrente — e vice-versa.
Potência elétrica: A rapidez da transformação de energia
A potência elétrica indica a taxa de conversão de energia em um dispositivo — ou seja, quão rápido ele transforma eletricidade em outra forma de energia, como luz, calor ou movimento.
Sua unidade é o watt (W), em homenagem ao engenheiro James Watt.
Em um chuveiro, por exemplo, a potência representa o quanto de energia é convertida em calor para aquecer a água.
A fórmula básica é:
P = V × I
Isso quer dizer que a potência é igual à tensão multiplicada pela corrente.
Assim, um equipamento de 220 V que consome 10 A possui uma potência de 2200 W (ou 2,2 kW).
Essa grandeza é fundamental para o dimensionamento de circuitos: a soma das potências de todos os aparelhos define a demanda total de uma instalação, que deve ser compatível com a capacidade dos cabos e disjuntores.
Relação entre as grandezas elétricas
As quatro grandezas principais estão intimamente ligadas.
Alterar uma delas inevitavelmente afeta as demais, e entender essa relação é o que permite projetar sistemas elétricos seguros e eficientes.
Veja as fórmulas mais usadas:
- Lei de Ohm:
V = R × I
(a tensão é igual à resistência multiplicada pela corrente)
- Potência:
P = V × I
(a potência é igual à tensão multiplicada pela corrente)
A partir dessas expressões, é possível obter variações úteis:
- I = P / V
- R = V² / P
- P = I² × R
Essas equações são amplamente aplicadas em projetos elétricos residenciais e prediais, seguindo as normas da NBR 5410 e da NR-10, que tratam de segurança e dimensionamento.

As grandezas elétricas e a importância da medição correta
Medir corretamente as grandezas elétricas é essencial para garantir o funcionamento adequado dos equipamentos e evitar acidentes.
Instrumentos como multímetros, amperímetros e voltímetros são indispensáveis para profissionais e estudantes de elétrica.
De acordo com a Eletrobras/Procel (2024), erros de medição estão entre as principais causas de sobreaquecimento em circuitos domésticos.
Por isso, é fundamental utilizar equipamentos calibrados e respeitar os limites de corrente e tensão indicados pelos fabricantes.
Além disso, compreender essas grandezas é o que possibilita melhorar a eficiência energética: identificar perdas, dimensionar cabos corretamente e até calcular o consumo mensal em quilowatt-hora (kWh), unidade usada nas contas de energia elétrica.
- Desenho do tecido: Lisa
Grandezas derivadas e aplicações práticas
Além das grandezas fundamentais, há também grandezas derivadas que surgem a partir delas, como:
- Condutância (siemens – S): inverso da resistência.
- Energia elétrica (joule – J ou kWh): produto da potência pelo tempo.
- Densidade de corrente: razão entre a corrente e a área do condutor.
Essas grandezas são especialmente importantes em áreas como automação industrial, eletrônica de potência e engenharia de controle, onde medições precisas determinam a confiabilidade dos sistemas.
Conclusão
As grandezas elétricas — tensão, corrente, resistência e potência — são a base da eletricidade moderna.
Compreender como elas interagem permite não apenas realizar cálculos e dimensionamentos, mas também aumentar a eficiência e a segurança das instalações.
Do simples acendimento de uma lâmpada ao funcionamento de uma subestação, tudo depende do equilíbrio entre essas grandezas.
E à medida que novas tecnologias, como redes inteligentes (Smart Grids) e energia solar residencial, se tornam parte do dia a dia, o entendimento dessas relações será cada vez mais essencial.
Portanto, dominar os conceitos de grandezas elétricas é dominar a linguagem fundamental da energia — a base de toda inovação no setor elétrico.








