E-mail:
genesiseletricca@gmail.com
Com a chegada do calor intenso, o ar-condicionado se torna o grande aliado do conforto em casas, escritórios e comércios. No entanto, ele também é um dos principais responsáveis pelo aumento da conta de luz nos meses de verão.
O desafio está em encontrar o equilíbrio entre conforto térmico e eficiência energética, algo totalmente possível com pequenos ajustes na temperatura, manutenção e modo de uso do equipamento.
De acordo com a Eletrobras/Procel (2025), o uso consciente do ar-condicionado pode reduzir o gasto de energia em até 30%, sem abrir mão do bem-estar. E o segredo está na temperatura ideal: nem tão fria a ponto de sobrecarregar o sistema, nem tão alta que comprometa o conforto.
A temperatura ideal para o ar-condicionado
A temperatura é o principal fator que determina o consumo de energia do aparelho.
A recomendação dos especialistas é manter o ar-condicionado entre 23°C e 26°C, sendo 25°C a faixa considerada ideal para equilibrar conforto e economia.
Cada 1 grau abaixo dessa faixa pode aumentar o consumo de energia em cerca de 5%, segundo dados da Aneel e do INMETRO. Ou seja, se você regula o equipamento em 20°C esperando que o ambiente esfrie mais rápido, o que acontece na prática é apenas maior gasto energético, pois o tempo para atingir a temperatura desejada será o mesmo.
O ideal é ajustar o termostato de forma gradual, começando em 25°C e reduzindo um grau por vez até encontrar o ponto de conforto desejado. Além disso, configurar o modo automático ajuda o sistema a alternar entre resfriamento e ventilação, evitando picos desnecessários de consumo.
Leia também:
- Os principais eletrodomésticos que impactam a conta de luz e como reduzir o consumo
- Chuveiro elétrico: 8 dicas para reduzir o consumo de energia no inverno
Fatores que influenciam o desempenho do ar-condicionado
Vários fatores podem alterar a eficiência do aparelho, fazendo com que ele consuma mais energia do que o necessário. Entre os principais estão:
- Isolamento térmico do ambiente
Paredes, janelas e portas mal vedadas permitem trocas de calor constantes, obrigando o ar-condicionado a trabalhar em dobro. Investir em cortinas blackout ou películas refletoras nas janelas pode reduzir a entrada de calor em até 70%. - Posição do aparelho
Instalar o ar-condicionado em locais com incidência direta do sol ou próximos a fontes de calor (como lâmpadas halógenas e equipamentos eletrônicos) diminui sua eficiência. O ideal é mantê-lo em um ponto central e protegido. - Número de pessoas e equipamentos eletrônicos
Ambientes com muitas pessoas ou aparelhos em funcionamento exigem mais esforço de refrigeração. Cada corpo humano gera em média 100watts de calor, o que influencia diretamente a carga térmica do local. - Manutenção periódica
Filtros sujos e serpentinas obstruídas são vilões do consumo. A limpeza mensal dos filtros e a manutenção profissional semestral garantem um rendimento até 40% maior.

O ar-condicionado e o impacto na conta de luz
O ar-condicionado pode representar até 40% do consumo elétrico mensal em residências e escritórios no verão, segundo a EPE (Empresa de Pesquisa Energética).
Por isso, entender os hábitos de uso faz toda diferença na economia.
Dicas para reduzir o consumo:
- Use a função “Sleep” ou “Timer”
Essas funções reduzem automaticamente a potência durante a noite ou desligam o equipamento no horário programado, evitando desperdício enquanto todos dormem. - Mantenha portas e janelas fechadas
Evita a entrada de ar quente e reduz o esforço do compressor, principal responsável pelo consumo elétrico do sistema. - Desligue quando não estiver em uso
Deixar o aparelho ligado em ambiente vazio é uma das maiores causas de desperdício. Se for sair por mais de 30 minutos, desligue-o. - Prefira aparelhos Inverter
A tecnologia Inverter permite que o compressor funcione de forma contínua e controlada, evitando picos de energia. Modelos Inverter podem economizar até 40% em relação aos convencionais. - Invista em aparelhos com selo Procel A
Equipamentos com selo Procel de eficiência energética garantem menor consumo e melhor desempenho. No Brasil, a etiquetagem é feita pelo INMETRO, que classifica os aparelhos de “A” (mais eficiente) a “E” (menos eficiente).
Como o dimensionamento correto faz diferença
Um dos erros mais comuns é escolher um ar-condicionado com potência (BTUs) inadequada para o tamanho do ambiente.
A conta básica é simples:
- 600 a 800 BTUs por metro quadrado, considerando o número de pessoas e equipamentos.
- Ambientes com sol direto ou muitas janelas exigem acréscimos de 10% a 20%.
Exemplo:
Um quarto de 15m² com duas pessoas e insolação moderada requer um equipamento de cerca de 12.000 BTUs.
Aparelhos superdimensionados geram desperdício, enquanto modelos pequenos trabalham continuamente sem alcançar a temperatura ideal.
Ar-condicionado e sustentabilidade
O uso eficiente do ar-condicionado vai além da economia de energia. É também uma questão ambiental.
O aumento do consumo elétrico pressiona as usinas de geração e eleva as emissões de gases de efeito estufa.
Por isso, além das boas práticas de uso, vale optar por gases refrigerantes ecológicos, como o R-32 e o R-410A, que têm baixo potencial de destruição da camada de ozônio.
Modelos antigos que utilizam R-22 estão sendo gradualmente descontinuados por seu impacto ambiental.
Segundo a ONU Meio Ambiente (2024), a substituição global dos antigos gases por opções mais sustentáveis pode evitar a emissão de 72 bilhões de toneladas de CO₂ até 2050.

O papel da eletricidade e das boas práticas de instalação
O desempenho do ar-condicionado depende diretamente de uma instalação elétrica segura e dimensionada corretamente.
Cabos subdimensionados ou disjuntores inadequados podem causar aquecimento, quedas de tensão e desperdício energético.
Por isso, a NBR 5410 recomenda sempre a consulta a um profissional habilitado, especialmente em instalações de alta potência.
Além disso, é essencial ter um circuito dedicado para o ar-condicionado, com disjuntor próprio e condutores compatíveis com a carga do equipamento.
Essa medida não só melhora a eficiência elétrica como também aumenta a vida útil do aparelho.
Conclusão
Usar o ar-condicionado de forma inteligente é a chave para equilibrar conforto térmico, economia e sustentabilidade.
Pequenos hábitos, como manter a temperatura entre 23°C e 26°C, limpar os filtros, isolar o ambiente e utilizar aparelhos com tecnologia Inverter, podem fazer grande diferença na conta de luz.
Mais do que isso, investir em eficiência é investir no futuro: menos desperdício de energia significa menor impacto ambiental e maior durabilidade dos equipamentos.
E quando o calor apertar, lembre-se: o conforto não precisa custar caro, basta saber usar a eletricidade com inteligência e consciência.








