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As tomadas são componentes indispensáveis em qualquer instalação elétrica, seja em uma residência, comércio ou indústria. Elas são os pontos de conexão entre os aparelhos e a rede elétrica, e por mais simples que pareçam, seu tipo e dimensionamento fazem toda a diferença para a segurança e eficiência do sistema.
Entre os diversos tipos existentes, destacam-se as TUG (Tomadas de Uso Geral) e as TUE (Tomadas de Uso Específico). Ambas são definidas pela NBR 5410 — Instalações Elétricas de Baixa Tensão, norma que estabelece os critérios técnicos para instalações seguras no Brasil.
Compreender a função e as diferenças entre elas é essencial para evitar sobrecargas, curtos-circuitos e até incêndios.
O que são tomadas e por que é importante diferenciá-las
As tomadas têm a função de fornecer energia aos equipamentos elétricos e eletrônicos. Entretanto, nem todas foram projetadas para o mesmo tipo de carga.
A TUG (Tomada de Uso Geral) alimenta aparelhos de baixa potência. Já a TUE (Tomada de Uso Específico) é destinada a equipamentos que exigem maior corrente elétrica.
De acordo com a Eletrobras/Procel (2024), a separação entre tomadas de uso geral e específico é uma das medidas mais eficazes para reduzir o risco de sobrecarga e melhorar o desempenho energético de uma instalação.
Ignorar essa diferenciação é um erro comum, mas perigoso, pois um equipamento de alta potência ligado a uma TUG pode causar superaquecimento dos condutores e danificar tanto o circuito quanto o aparelho.
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Tomadas de Uso Geral (TUG)
As tomadas TUG são utilizadas para alimentar aparelhos com potência reduzida e que não permanecem ligados continuamente.
Segundo a NBR 5410, cada circuito de TUG deve ser projetado considerando corrente máxima de 10A e cabos de, no mínimo, 2,5mm².
Essas tomadas atendem equipamentos de até 1.200W em redes 127V e 2.200W em redes 220V.
Exemplos de aparelhos que utilizam TUG:
- Televisores e aparelhos de DVD;
- Carregadores de celular e notebooks;
- Batedeiras, liquidificadores e sanduicheiras;
- Aspiradores de pó e outros equipamentos portáteis.
É importante lembrar que as tomadas TUG devem sempre apresentar o selo do INMETRO, que garante que o produto foi testado e atende aos padrões de segurança elétrica.
Em locais como salas, quartos e escritórios, essas tomadas são predominantes, e a norma estabelece inclusive quantidades mínimas por ambiente (por exemplo: uma TUG a cada 3,5 m de perímetro em salas e dormitórios).
- Confira Torre de tomada C/3 tomadas 20A.
Tomadas de Uso Específico (TUE)
As tomadas TUE são destinadas a equipamentos de maior potência, normalmente acima de 10A e até 20A, que demandam circuitos individuais para evitar sobrecarga.
Elas possuem pinos de 4,8mm de diâmetro, maiores que os das TUG (4,0mm), justamente para impedir o encaixe de plugues incompatíveis.
Exemplos de equipamentos que usam TUE:
- Ar-condicionado e micro-ondas;
- Máquinas de lavar e secar roupas;
- Fornos elétricos, air fryers e cafeteiras industriais;
- Aquecedores e lavadoras de louças.
Ao realizar o projeto elétrico, é essencial definir quais equipamentos exigem uma TUE e onde serão instalados.
Além disso, a norma recomenda que cada TUE tenha seu próprio circuito e disjuntor, dimensionado conforme a potência do aparelho.
Perigo dos adaptadores
Um erro grave e ainda comum é o uso de adaptadores de 20A para 10A, permitindo conectar plugues grandes em tomadas pequenas.
Essa prática é extremamente perigosa: os condutores e disjuntores de um circuito TUG não suportam a corrente elevada de uma TUE, podendo causar aquecimento excessivo, danos na fiação e até incêndios.
Segundo o Instituto Nacional de Metrologia (INMETRO), o uso desses adaptadores é uma das principais causas de falhas em circuitos residenciais no Brasil.
Tomadas e segurança elétrica
A instalação correta das tomadas depende diretamente do dimensionamento do circuito.
O primeiro passo é identificar a tensão da rede (127V ou 220V) e a corrente do equipamento. Essas informações estão disponíveis em etiquetas na tomada, na própria carcaça do aparelho e no manual do fabricante.
Etapas de instalação recomendadas:
- Desligar a alimentação geral de energia antes de iniciar qualquer instalação;
- Separar os cabos adequados: fase, neutro e terra;
- Conectar corretamente os fios nos bornes:
- Neutro (N): borne à esquerda;
- Terra (⏚): borne central, sempre voltado para cima;
- Fase (F ou L): borne à direita.
- No caso de circuitos 220V bifásicos, conectar a segunda fase no borne identificado como N;
- Após a instalação, testar a tensão com um multímetro para garantir que a polaridade e o valor estão corretos.
De acordo com a norma e boas práticas, todas as tomadas devem estar aterradas, garantindo proteção contra choques elétricos.
Em instalações onde há diferentes tensões (por exemplo, 127V e 220V), recomenda-se sinalizar as tomadas de 220V, muitas vezes com cores diferenciadas (como o padrão vermelho) para facilitar a identificação e evitar acidentes.

Boas práticas para aumentar a durabilidade das tomadas
- Evite sobrecargas: não conecte vários aparelhos de alta potência em um mesmo circuito.
- Limpe periodicamente: poeira e umidade acumuladas podem causar mau contato.
- Verifique o aperto dos cabos: bornes frouxos geram aquecimento e risco de curto.
- Não use adaptadores ou benjamins: em circuitos de alto consumo.
- Prefira produtos certificados: tomadas, plugues e disjuntores com selo do INMETRO são obrigatórios.
Além disso, é importante seguir o conceito de circuitos dedicados para aparelhos de alto consumo. Um circuito exclusivo para o ar-condicionado, por exemplo, garante maior estabilidade e evita que outros equipamentos da casa sofram quedas de tensão.
Instalação em conformidade com normas
Embora a instalação de tomadas pareça simples, ela exige conhecimento técnico e respeito às normas brasileiras.
Somente um profissional qualificado poderá dimensionar corretamente os cabos, disjuntores e conexões de acordo com o consumo e a carga de cada ponto.
A norma ainda reforça que toda instalação deve ter um projeto elétrico documentado, especialmente em obras novas e reformas, garantindo segurança, economia e conformidade legal.
Conclusão
Saber diferenciar e instalar corretamente as tomadas TUG e TUE é um passo fundamental para garantir segurança, eficiência e durabilidade nas instalações elétricas.
Enquanto as TUG suprem as necessidades do dia a dia com cargas leves, as TUE atendem equipamentos mais exigentes, protegendo sua rede contra sobrecargas.
Respeitar as recomendações da NBR 5410, usar materiais certificados e contar com profissionais qualificados são atitudes que não apenas evitam acidentes, mas também prolongam a vida útil dos aparelhos e reduzem o consumo de energia.
No fim das contas, o cuidado com as tomadas é o reflexo de uma instalação feita com planejamento, técnica e consciência elétrica, pilares da Gênesis Elétrica, que sempre defende o uso responsável da energia.








