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A extensão elétrica é um item presente em praticamente todas as casas e escritórios. Ela é prática, acessível e parece resolver o problema da falta de tomadas. No entanto, o que muitos não sabem é que o uso incorreto desses dispositivos pode representar um sério risco à segurança elétrica e, em alguns casos, até causar incêndios.
Segundo dados do INMETRO e do Corpo de Bombeiros de São Paulo, uma parte significativa dos incêndios residenciais tem origem em sobrecarga de extensões ou filtros de linha usados de forma inadequada. Isso acontece porque a maioria das pessoas conecta aparelhos de alta potência em extensões que não foram projetadas para suportar tamanha corrente elétrica.
A Eletrobras/Procel (2025) alerta que extensões devem ser utilizadas apenas de forma temporária e com cargas leves, respeitando sempre a corrente máxima indicada pelo fabricante. Entender os limites e as boas práticas é essencial para garantir a segurança da instalação e prolongar a vida útil dos seus equipamentos.
Por que a extensão pode ser perigosa?
Uma extensão nada mais é do que uma derivação do circuito elétrico principal, feita com cabos e conectores.
Quando usada além da sua capacidade, ela superaquece, comprometendo o isolamento dos fios e aumentando o risco de curto-circuito e incêndio.
A ABNT NBR 5410, norma que rege as instalações elétricas de baixa tensão, recomenda que equipamentos de alta potência sejam sempre conectados em tomadas exclusivas, nunca por meio de extensões.
Além disso, há outro fator de risco: muitos produtos disponíveis no mercado não possuem certificação do INMETRO, o que significa que podem utilizar fios com bitolas inadequadas ou materiais de baixa qualidade.
Essas extensões baratas são incapazes de suportar correntes elevadas, mesmo quando a etiqueta promete o contrário.
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O que não deve ser ligado em uma extensão
Usar a extensão para conectar pequenos eletrônicos, como carregadores de celular, roteadores ou luminárias, é aceitável.
Por outro lado, conectar aparelhos de alto consumo é um erro que pode sair caro.
Confira a lista dos principais equipamentos que nunca devem ser ligados em extensões ou filtros de linha:
1. Air Fryer
As fritadeiras elétricas consomem muita energia devido às resistências internas que atingem altas temperaturas.
Ao serem ligadas em extensões, o calor gerado no cabo pode ser suficiente para derreter o isolamento e causar incêndios.
Por isso, a recomendação é sempre conectar o equipamento diretamente em uma tomada dedicada.
2. Micro-ondas
Mesmo modelos de tamanho médio consomem entre 1.200 e 1.800 watts.
Essa carga exige condutores de pelo menos 2,5 mm² e um circuito individual.
Conectá-los em extensões sobrecarrega o circuito e aumenta o risco de falhas no plugue e no disjuntor.
3. Geladeira
Apesar de consumir menos energia instantaneamente, a geladeira fica ligada 24 horas por dia.
Ela exige estabilidade elétrica, e o uso de extensões pode causar variações de tensão que danificam o compressor: o componente mais caro do equipamento.
4. Máquina de Lavar
O motor e as resistências internas exigem picos de corrente durante o funcionamento.
A extensão pode não aguentar essa variação, levando à queima de fios e queda de tensão no circuito.
5. Forno Elétrico
Assim como a air fryer, o forno elétrico aquece resistências que exigem alta potência.
Modelos domésticos podem consumir mais de 2.000 watts, o que torna indispensável o uso de uma tomada exclusiva com fio de bitola adequada.
6. Cooktop de Indução
Os cooktops elétricos ou por indução são responsáveis por grandes picos de corrente, chegando a 3.500W.
Esse tipo de carga deve ter circuito independente e aterramento correto, conforme prevê a NBR 5410.
7. Ar-Condicionado
O ar-condicionado, seja split ou de janela, é um dos equipamentos que mais consome energia elétrica em uma residência.
Por isso, ele deve ter circuito próprio, disjuntor exclusivo e tomada de uso específico (TUE).
Jamais conecte-o por meio de extensões ou adaptadores.
Sinais de que sua extensão está sobrecarregada
O uso incorreto de extensões apresenta alguns sinais de alerta que não devem ser ignorados:
- Aquecimento perceptível nos plugues ou fios;
- Odor de plástico queimado;
- Desarme frequente do disjuntor;
- Luzes piscando ou queda de tensão ao ligar um aparelho.
Caso perceba qualquer um desses sintomas, desconecte imediatamente os aparelhos e chame um eletricista qualificado para avaliar o circuito.
Como escolher e usar extensões com segurança
Se for realmente necessário usar uma extensão, siga estas recomendações práticas:
- Verifique a potência máxima (em watts) e nunca ultrapasse o valor indicado no corpo do produto.
- Prefira modelos certificados pelo INMETRO, com selo visível e plugue de três pinos.
- Evite emendas: nunca conecte uma extensão em outra, pois isso aumenta a resistência elétrica e o risco de superaquecimento.
- Mantenha o cabo esticado, sem enrolar ou cobrir, para permitir a dissipação do calor.
- Não use extensões permanentemente — elas são soluções temporárias, não substitutos de uma instalação bem planejada.
- Escolha a bitola certa: para uso leve (carregadores, TV, roteador), cabos de 1,5 mm² são suficientes; para cargas médias, prefira 2,5 mm².
O INMETRO recomenda que o consumidor sempre leia as instruções do fabricante e jamais utilize extensões em áreas úmidas, como banheiros ou cozinhas, sem proteção adequada.
Extensão, adaptadores e benjamins: Entenda as diferenças
Embora muitos tratem como sinônimos, extensão, adaptador e benjamim têm finalidades distintas:
- Extensão: aumenta o alcance da tomada, mantendo a mesma capacidade elétrica.
- Filtro de linha: extensão com circuito de proteção contra surtos, indicada para computadores e eletrônicos sensíveis.
- Adaptador ou benjamim: converte formatos de plugues ou multiplica o número de tomadas, mas deve ser usado com cautela.
O uso incorreto desses dispositivos pode comprometer a segurança.
De acordo com a Eletrobras, é sempre preferível instalar novas tomadas no local certo, com dimensionamento adequado, do que multiplicar pontos de conexão por meio de extensões.
Quando chamar um profissional
Se você sente a necessidade constante de usar extensões ou adaptadores em casa, é sinal de que sua instalação elétrica precisa ser revisada.
Um eletricista qualificado pode:
- Avaliar a demanda de carga de cada circuito;
- Instalar novos pontos de tomada conforme as normas;
- Verificar o dimensionamento dos cabos e disjuntores;
- Corrigir fios antigos ou oxidados, que aumentam o risco de curtos.
Essa revisão é especialmente importante em imóveis antigos, onde a fiação não foi projetada para suportar os eletrodomésticos modernos de alta potência.
Conclusão
A extensão elétrica é um recurso útil, mas seu uso deve ser feito com responsabilidade.
Ela foi projetada para resolver situações temporárias — e não para alimentar eletrodomésticos de grande potência.
Equipamentos como micro-ondas, geladeiras, fornos, ar-condicionados e cooktops devem sempre estar ligados em tomadas exclusivas e bem dimensionadas.
Seguir as recomendações da NBR 5410, escolher produtos certificados pelo INMETRO e contar com o suporte de um profissional são passos fundamentais para evitar acidentes e proteger sua residência.
Em uma instalação elétrica segura, menos é mais: quanto menos extensões e improvisos, maior a segurança, eficiência e durabilidade dos seus equipamentos — e é exatamente essa a filosofia da Gênesis Elétrica.








