E-mail:
genesiseletricca@gmail.com
No Brasil, ainda é comum encontrar cabos elétricos vendidos como se fossem adequados e seguros, mas que na verdade não atendem às normas técnicas. Esses materiais, conhecidos como cabos desbitolados, estão presentes em obras residenciais, comerciais e até industriais — e representam um risco silencioso que muitos desconhecem.
O que são, afinal, cabos desbitolados?
Um cabo desbitolado é aquele que não possui a quantidade correta de cobre determinada pelas normas. Em vez de entregar a bitola real, como 1,5mm², 2,5mm², 4mm² etc. Ele traz menos cobre do que deveria.
Para disfarçar o problema, alguns fabricantes aumentam a espessura do isolamento em PVC, criando um cabo aparentemente robusto, porém com má condutividade.
O motivo dessa prática é simples: reduzir custos e aumentar lucros, já que o cobre é o componente mais caro da fabricação. Contudo, o impacto dessa economia é transferido para o consumidor final em forma de risco elétrico e baixa durabilidade.
Leia também:
- Entenda as características técnicas de materiais elétricos
- Os 3 chuveiros elétricos que dominam 2025
Por que cabos desbitolados são tão perigosos?
Usar um cabo com menos cobre do que o necessário traz uma série de consequências graves para a segurança das instalações. Entre os principais riscos, destacam-se:
Aumento da temperatura e risco de incêndio
A redução do cobre faz com que o cabo apresente maior resistência elétrica.
Consequentemente, ele aquece muito mais do que o normal, podendo derreter o isolamento e provocar incêndios.
Choques elétricos
Quando o isolamento é de má qualidade ou utilizado como artifício para esconder a bitola real, aumenta a probabilidade de falhas e rompimentos, deixando partes condutoras expostas.
Vida útil muito reduzida
Cabos desbitolados tendem a falhar muito antes do esperado. Isso significa retrabalho, manutenção precoce e gastos desnecessários para substituir toda a instalação.
Falta de dados oficiais sobre acidentes
No Brasil, infelizmente, não há um sistema estruturado para registrar acidentes elétricos.
Muitas ocorrências sequer são investigadas, dificultando mensurar o real impacto dessa prática irregular.
Assim, estimativas disponíveis servem apenas como um indicativo, sem precisão sobre a dimensão do problema.
Como identificar cabos desbitolados na prática?
Apesar de não ser simples identificar um cabo irregular apenas olhando, alguns sinais ajudam muito na triagem inicial, especialmente para eletricistas, instaladores e engenheiros.
1. Inspeção visual: O primeiro indício
- Isolamento aparentemente espesso demais
Quando o cabo parece muito grosso, mas, ao cortar, nota-se um condutor fino, é um forte sinal de desbitolamento. - Ausência de marcações normativas
Um cabo de boa procedência deve apresentar:
– bitola nominal;
– tensão de operação;
– nome do fabricante;
– selo do Inmetro;
A falta desses dados já liga um alerta.
- Peso abaixo do esperado
O cobre tem peso característico. Cabos mais leves do que o padrão indicam redução de material condutor.
2. Testes e medições técnicas
Para uma verificação precisa, é necessário recorrer a ensaios como:
- Ensaio de resistência ôhmica
Mede se a resistência do cabo está de acordo com a NBR 6814 e demais normas aplicáveis. Se estiver muito acima, significa menos cobre. - Contagem e diâmetro dos filamentos
Cada bitola tem uma quantidade específica de fios internos e um diâmetro mínimo exigido.
Filamentos mais finos ou em quantidade insuficiente indicam adulteração.
3. Pureza do cobre
Outro problema comum é o uso de cobre reciclado com baixa pureza, que também gera aquecimento e redução da capacidade de condução. Mesmo que a bitola “aparente” esteja correta, o desempenho não será.
O ideal é sempre solicitar ou realizar ensaios laboratoriais, principalmente quando se trata de grandes obras ou projetos com alta demanda de corrente.

Por que esse problema ainda é tão presente?
A falta de fiscalização rigorosa, aliado ao baixo custo do material irregular e à desinformação do consumidor, faz com que cabos desbitolados continuem circulando no mercado.
Muitos compradores escolhem o produto apenas pelo preço, sem perceber que alguns reais economizados podem resultar em:
- prejuízos estruturais na edificação;
- queima de equipamentos;
- riscos de vida para os moradores.
O barato, nesse caso, sai perigosamente caro.
Como se proteger desse tipo de fraude?
✔ Prefira cabos certificados e de marcas reconhecidas;
✔ Exija nota fiscal — produtos irregulares raramente têm;
✔ Desconfie de preços muito abaixo do mercado;
✔ Sempre contrate profissionais qualificados para instalações;
✔ Observe atentamente o selo do Inmetro e as marcações da NBR 5410.
Conclusão
Os cabos desbitolados representam um dos problemas mais relevantes — e perigosos — nas instalações elétricas brasileiras. Embora sejam visualmente parecidos com cabos de qualidade, sua composição inadequada pode gerar aquecimento excessivo, choques elétricos, falhas constantes e até incêndios.
Identificar e evitar esse tipo de material é uma questão de segurança, economia e responsabilidade profissional.
Quanto mais consumidores, eletricistas e engenheiros estiverem informados, menor será a circulação de produtos irregulares e maior será a segurança das edificações no país.
Para instalações elétricas duráveis, seguras e eficientes, cabo de qualidade não é opcional — é obrigação.








