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A corrente elétrica é uma das grandezas fundamentais da eletricidade e base de toda a tecnologia moderna. Ela está presente em praticamente tudo ao nosso redor: do carregamento do celular à iluminação das ruas, passando pelos motores, eletrodomésticos e sistemas de transporte.
Compreender o que é a corrente elétrica, seus tipos, medições e aplicações é essencial para entender o funcionamento de qualquer circuito elétrico.
De acordo com a ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica), o conhecimento sobre corrente elétrica é indispensável para projetar sistemas seguros e eficientes, evitando sobrecargas, curtos e desperdício de energia.
O que é corrente elétrica
De forma simples, a corrente elétrica é o movimento ordenado de partículas carregadas (geralmente elétrons) através de um material condutor, como um fio metálico.
Esse movimento ocorre quando há uma diferença de potencial elétrico – tensão -, entre dois pontos, o que faz com que os elétrons sejam empurrados de um ponto de maior potencial negativo para um de menor potencial.
Podemos entender a corrente elétrica como um “fluxo de elétrons” semelhante ao fluxo de água em um cano — quanto maior a diferença de pressão (ou tensão), maior será a corrente.
A unidade de medida é o ampère (A), em homenagem ao físico francês André-Marie Ampère (1775–1836), que foi um dos pioneiros no estudo do eletromagnetismo.
Matematicamente, a intensidade da corrente é definida como:
I = Q / Δt
Onde:
I = Corrente elétrica (A)
Q = Carga elétrica (Coulomb – C)
Δt = Intervalo de tempo (s)
Essa relação mostra que quanto mais carga elétrica passa por um ponto em determinado tempo, maior será a intensidade da corrente.
Leia também:
- Grandezas elétricas: O que são, quais são e como se relacionam nos circuitos
- Tensão Elétrica: o que é, como funciona e por que entender essa grandeza é essencial
Tipos de corrente elétrica
Essa grandeza elétrica pode se manifestar de duas formas principais: corrente contínua (CC ou DC) e corrente alternada (CA ou AC).
Cada uma possui características e aplicações específicas:
1. Corrente Contínua (CC ou DC)
Na corrente contínua, os elétrons fluem sempre na mesma direção, do polo negativo para o polo positivo.
Esse tipo de corrente é encontrado em pilhas, baterias, painéis solares e fontes de alimentação eletrônicas.
Ela é ideal para equipamentos que exigem uma tensão estável, como celulares, notebooks, LEDs e circuitos eletrônicos de precisão.
A tensão contínua também é usada em veículos elétricos e sistemas fotovoltaicos, antes de ser convertida em corrente alternada pelos inversores de energia.
2. Corrente Alternada (CA ou AC)
Na corrente alternada, o sentido do fluxo de elétrons muda periodicamente, alternando entre positivo e negativo.
É o tipo de corrente utilizada nas redes elétricas residenciais e industriais, justamente por ser mais eficiente para transmissão de energia a longas distâncias.
No Brasil, a frequência padrão é de 60 hertz (Hz), ou seja, a corrente muda de direção 60 vezes por segundo.
Usinas hidrelétricas, termelétricas e eólicas produzem esse tipo de corrente, que é depois transformada e distribuída pelas concessionárias.
Como se mede e se calcula a corrente elétrica
Para medi-la, utiliza-se um amperímetro, que deve ser conectado em série com o circuito.
Dessa forma, toda a corrente passa pelo instrumento, permitindo uma medição precisa.
A medição deve sempre respeitar o limite de corrente do dispositivo para evitar sobrecargas e danos.
A Lei de Ohm é a principal equação usada para calcular a corrente elétrica:
I = V / R
Onde:
- I = Corrente (A)
- V = Tensão elétrica (V)
- R = Resistência (Ω)
Essa fórmula demonstra que a corrente é diretamente proporcional à tensão aplicada e inversamente proporcional à resistência do circuito.
Por exemplo, se aplicarmos 12 volts em um circuito com resistência de 6 ohms, teremos:
I = 12 / 6 = 2A
Ou seja, circula uma corrente de 2 ampères.
Essa relação é essencial para o dimensionamento de cabos e disjuntores, evitando sobreaquecimentos e garantindo a segurança das instalações — conforme as normas NBR 5410.

Corrente elétrica e seus efeitos práticos
Ela produz diversos efeitos práticos que são explorados em diferentes áreas da engenharia:
- Efeito térmico (Joule): Ocorre quando a passagem de corrente aquece um condutor — base do funcionamento de chuveiros, ferros e aquecedores.
- Efeito luminoso: Utilizado em lâmpadas incandescentes e em LEDs, onde a corrente faz o material emitir luz.
- Efeito magnético: Presente em motores elétricos, relés e transformadores; a corrente gera um campo magnético ao redor do condutor.
- Efeito químico: Usado em processos como galvanoplastia e eletrólise, onde a corrente provoca reações químicas.
Esses efeitos mostram como o simples movimento de elétrons é capaz de gerar calor, luz, força e reações químicas, tornando a eletricidade uma das formas de energia mais versáteis do mundo.
Intensidade e segurança na corrente elétrica
A intensidade da corrente determina o impacto que ela pode causar em materiais e seres humanos.
Segundo estudos da Fundação CEMIG (2024), correntes superiores a 30 miliampères (mA) já podem provocar contrações musculares e parada cardíaca em poucos segundos.
Por isso, a segurança elétrica é um ponto crucial.
Dispositivos como o IDR (Interruptor Diferencial Residual) e o DR detectam correntes de fuga e desligam o circuito imediatamente, prevenindo choques e incêndios.
Além disso, o aterramento adequado e o uso de disjuntores termomagnéticos dimensionados são indispensáveis para garantir a integridade de pessoas e equipamentos.
Aplicações da corrente elétrica no dia a dia
A corrente elétrica está presente em praticamente tudo que utilizamos:
- Eletrodomésticos: geladeiras, televisores, micro-ondas e chuveiros;
- Veículos elétricos e híbridos: onde a corrente CC das baterias é convertida em CA para acionar motores;
- Automação residencial: sensores e dispositivos inteligentes operam com correntes de baixa intensidade;
- Energia solar: painéis fotovoltaicos geram corrente contínua, que é convertida em alternada para o consumo;
- Indústria: motores trifásicos, robôs e sistemas de soldagem dependem de correntes de alta potência.
Sem corrente elétrica, nenhum desses sistemas seria possível. Ela é, literalmente, o coração da eletricidade moderna.
Curiosidades e dados atuais
- A corrente mais fraca já detectada em laboratório tem intensidade de 1 femtoampère (10⁻¹⁵ A), usada em circuitos de precisão.
- Um raio natural pode gerar correntes de até 30.000 ampères por poucos milissegundos.
- A corrente em cabos de transmissão de alta tensão pode ultrapassar milhares de ampères, dependendo da carga transportada.
Esses números mostram a amplitude e o poder da corrente elétrica, que vai desde aplicações microscópicas até fenômenos naturais impressionantes.
Conclusão
A corrente elétrica é a base de toda a eletricidade que move o mundo moderno.
Compreender seus tipos, medições e efeitos é essencial para aplicar corretamente os princípios da engenharia elétrica e garantir eficiência, segurança e economia de energia.
Do simples acender de uma lâmpada à operação de uma usina, tudo depende do fluxo contínuo e controlado dos elétrons.
Por isso, estudar e respeitar as leis que regem a corrente elétrica é fundamental para quem deseja entender — e dominar — o funcionamento da energia em nosso cotidiano.








