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A resistência elétrica é um dos conceitos mais importantes da eletricidade e está diretamente ligada ao funcionamento de praticamente todos os equipamentos elétricos e eletrônicos.
Ela é a oposição que um material oferece à passagem da corrente elétrica, influenciando o comportamento dos circuitos e o consumo de energia.
Entender a resistência elétrica é essencial para profissionais da área e também para consumidores que buscam compreender o funcionamento dos dispositivos do dia a dia, como chuveiros, lâmpadas, aquecedores e motores.
De acordo com o INMETRO (2025), conhecer as características de resistência dos materiais é fundamental para dimensionar corretamente cabos e componentes, evitando superaquecimento, perdas de energia e até acidentes elétricos.
O que é resistência elétrica
A resistência elétrica é uma propriedade física que mede o grau de dificuldade que os elétrons encontram ao se deslocar em um condutor.
Essa dificuldade ocorre devido às colisões entre os elétrons e os átomos do material, que transformam parte da energia elétrica em energia térmica (calor).
Em outras palavras, quanto maior for a resistência, mais difícil será a passagem da corrente elétrica — e maior será a dissipação de calor.
É por isso que resistores, filamentos de lâmpadas e chuveiros elétricos aquecem quando são atravessados pela corrente.
A resistência é representada pela letra R e sua unidade de medida no Sistema Internacional (SI) é o ohm (Ω), em homenagem ao físico alemão Georg Simon Ohm (1789–1854), criador da famosa Lei de Ohm.
Leia também:
- Grandezas elétricas: O que são, quais são e como se relacionam nos circuitos
- Corrente Elétrica: o que é, como funciona e qual sua importância na eletricidade moderna
Fatores que influenciam a resistência elétrica
O valor da resistência elétrica de um condutor depende de quatro fatores principais, definidos pela Segunda Lei de Ohm:
R = ρ × (L / A)
Onde:
- R = resistência (Ω)
- ρ (rho) = resistividade do material (Ω·m)
- L = comprimento do condutor (m)
- A = área da seção transversal (m²)

Vamos entender cada fator:
- Material do condutor:
Cada substância tem uma resistividade própria, determinada pela sua estrutura atômica.
Metais como cobre, prata e alumínio têm baixa resistividade (bons condutores), enquanto plástico, borracha e vidro têm alta resistividade (isolantes). - Comprimento do fio (L):
Quanto mais longo for o condutor, maior será a resistência, pois os elétrons precisam percorrer um caminho maior, colidindo com mais átomos. - Área da seção transversal (A):
Condutores mais grossos possuem menor resistência, pois há mais espaço para o fluxo de elétrons.
Por isso, fios de bitola maior são usados em circuitos de alta corrente. - Temperatura:
Em geral, aumentar a temperatura faz com que os átomos vibrem mais intensamente, dificultando o movimento dos elétrons e aumentando a resistência.
A exceção são os supercondutores, materiais que, em temperaturas extremamente baixas, apresentam resistência elétrica igual a zero, permitindo a passagem de corrente sem perdas.
Relação entre resistência, tensão e corrente elétrica
A resistência, a corrente e a tensão estão relacionadas pela Primeira Lei de Ohm, uma das equações mais fundamentais da eletricidade:
R = V / I
Onde:
- R = resistência (Ω)
- V = tensão elétrica (V)
- I = corrente elétrica (A)
Essa lei mostra que a resistência determina quanto de corrente elétrica passa por um material quando submetido a uma determinada tensão.
– Se a resistência aumenta, a corrente diminui.
– Se a resistência diminui, a corrente aumenta.
Por exemplo, em um chuveiro elétrico de 220V que consome 20A, a resistência do circuito é de:
R = 220 / 20 = 11Ω
Já em uma lâmpada incandescente de 6V e 20mA, temos:
R = 6 / 0,02 = 300Ω
Esses exemplos mostram como a resistência define a intensidade da corrente que flui em cada equipamento.
Resistência elétrica e o efeito Joule
Um dos fenômenos mais conhecidos relacionados à resistência elétrica é o Efeito Joule — a conversão da energia elétrica em calor quando a corrente passa por um condutor.
Esse princípio é amplamente explorado em chuveiros elétricos, sanduicheiras, secadores de cabelo, ferros de passar e aquecedores.
A potência dissipada (energia transformada em calor) é dada pela fórmula:
P = R × I²
Onde P é a potência (W), R é a resistência (Ω) e I é a corrente (A).
Isso significa que, quanto maior a corrente ou a resistência, mais calor será gerado.
De acordo com o Procel (Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica), cerca de 30% da energia consumida em uma residência brasileira é destinada a equipamentos que utilizam o Efeito Joule.

Diferença entre resistência e resistividade
Embora estejam relacionadas, resistência e resistividade não são a mesma coisa:
- Resistência elétrica: é uma característica do componente ou condutor. Depende do material, do comprimento e da área do fio.
- Resistividade (ρ): é uma propriedade do material. É fixa e independe das dimensões do condutor.
Por exemplo:
- O cobre tem resistividade de 1,68 × 10⁻⁸ Ω·m.
- O alumínio tem resistividade de 2,82 × 10⁻⁸ Ω·m.
Mesmo usando fios de mesmo comprimento e espessura, o alumínio sempre apresentará uma resistência maior que o cobre.
Aplicações práticas da resistência elétrica
Essa grandeza elétrica está presente em praticamente todos os circuitos e dispositivos, seja como função principal ou como consequência natural da condução de corrente.
Alguns exemplos:
- Resistores: componentes criados para limitar a corrente em circuitos eletrônicos, protegendo outros dispositivos;
- Filamentos de lâmpadas: transformam energia elétrica em luz e calor, graças à alta resistência do material (geralmente tungstênio);
- Chuveiros e aquecedores: convertem energia elétrica em calor de forma controlada;
- Motores elétricos: utilizam enrolamentos resistivos que produzem calor e energia mecânica;
- Cabos condutores: apresentam resistência natural que, se não for bem dimensionada, pode gerar perdas por aquecimento e quedas de tensão.
Esses exemplos mostram que a resistência pode ser útil ou prejudicial, dependendo da aplicação e do controle adotado.
A importância da resistência elétrica no dimensionamento de circuitos
Em projetos elétricos residenciais e industriais, o conhecimento sobre resistência é crucial.
De acordo com as normas, deve-se sempre considerar a resistência dos condutores para evitar:
- Sobreaquecimento dos fios;
- Queda excessiva de tensão;
- Desperdício de energia elétrica.
Por isso, a escolha da bitola correta do cabo e o tipo de material condutor são fatores determinantes para o bom desempenho e segurança de uma instalação.
Conclusão
A resistência elétrica é uma das grandezas mais fundamentais da eletricidade.
Ela explica por que os elétrons não se movem livremente e como a energia elétrica pode ser transformada em calor, luz ou movimento.
Compreender sua função, suas variáveis e como medi-la é essencial para qualquer profissional da área elétrica e para o uso consciente da energia.
Do filamento de uma lâmpada a um transformador industrial, tudo depende do equilíbrio entre corrente, tensão e resistência.
Dominar esse conceito é o primeiro passo para projetar sistemas seguros, eficientes e duradouros. E um diferencial para quem busca excelência na prática da engenharia elétrica.








